Agenda a Direita

A discussão sobre a maioridade penal não é nova. Contudo, ela ganhou novos contornos após a morte trágica do menino João no Rio de Janeiro. De forma sistemática o evento foi apresentado como se a responsabilidade do evento fosse apenas do menor que tomou parte do evento. Isto em quase todos os jornais e revistas. Se não bastasse este fato, foram retirados do baú um sem numero de casos antigos que possuem jovens relacionados.

De forma acrítica, o que vimos foi à defesa aberta da redução da maioridade penal. Apresentada como uma solução possível para os eventos em que possuem jovens envolvidos com crimes violentos. Fica patente a tentativa de caracterizar todos os  crimes cometidos por jovens como sendo violentos, generalizando de forma proposital para dar mais força a suposta necessidade de redução.

Esta suposta necessidade foi ainda defendida de duas outras formas. Com a ajuda de pessoas que pouco ou nada sabem de juventude no Brasil, pouco ou nada sabem de jovens em conflito com a Lei. Em uníssono defendiam estes próceres da moralidade a mudança da constituição como forma de garantir a segurança novamente à sociedade. Sem qualquer argumento que se sustente mais do que cinco minutos diante de uma defesa contrária a esta proposta.

Por outro lado, a redução ainda recebeu o apoio no sentimento de comoção causado pela morte violenta do garoto. Explorado de forma sistemática por abordagens do fato como um drama. Um drama que não seria apenas da família, mas de toda a “sociedade Brasileira”. Todos os movimentos acríticos sediados no Rio de Janeiro em defesa da “paz” vieram apoiar e sustentar esta comoção em horário nobre. Em passeatas que de nada trouxeram de contribuição para o debate, já que a paz discutida é a paz dentro dos condomínios fechados e dos pontos turísticos da cidade. Paz para suas casas e a violência das cadeias para os jovens em conflito com a lei.

Fica patente o uso de uma única opinião na mídia Brasileira e a exclusão quase total de visões alternativas a redução. Em momento algum há o debate sobre as condições em que ocorrem tais crimes violentos. Nem mesmo se discute como quase cinqüenta porcento da população juvenil encarcerada esta no Estado de São Paulo ou que a maioria dos delitos cometidos são crimes contra o patrimônio. Na verdade o que se quer é transformar estes jovens em criminosos, e dar a eles o tratamento desumano que é dado a toda a população carcerária adulta.

A visão transmitida por esta mídia à sociedade é a das prisões como depósitos humanos. Onde devem ser condenados todos os “indesejáveis” e lá permanecer. Parece que possuem a esperança destes condenados lá ficarem e não serem mais reconduzidos a sociedade. Os defensores da redução da maioridade penal pensam nossas prisões como formas modernas de “campos de concentração”. Enquanto isso experiências importantes, de combate à criminalidade e recolocação dos jovens na sociedade e mercado de trabalho como ocorre na cidade de São Carlos não aparecem. São propositalmente esquecidas.

Se faz necessário que os movimentos em defesa dos direitos Humanos, da Criança e Adolescente acordem para a atual tendência de criar um sentimento de medo e insegurança. Preparando assim o terreno para as próximas eleições. Parece que parte da oposição aos direitos humanos pensa concorda com a idéia do “quando pior melhor”. Neste sentido é necessário que as pessoas se sintam desprotegidas e vivendo em um mundo onde o “homem é lobo do homem”, no estado de natureza hobbesiano, descrentes na política e nas políticas públicas para que as “soluções de força” possam se tornar mais viáveis, para possam ser melhor aceitas pela população. Sem que a mesma perceba que estas medias serão utilizadas como uma forma de controle. No geral a tese é: quanto mais se tira das políticas públicas mais sobra para ser emprestado e financiado para as grandes empresas e bancos. Sem que estes tenham qualquer compromisso social, sem ter que responder socialmente à sociedade. Por trás da desqualificação da política existe a desqualificação das políticas públicas, do combate a pobreza, à fome, à ação afirmativa.

Os movimentos sociais precisam perceber que não estamos diante de fatos isolados, mas de uma agenda que tem como objetivo desarticular os movimentos sociais e agenda positiva construída nestes últimos anos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s