Da enormidade de defender os torturadores

Atualizado em 10 de janeiro de 2010 às 19:07 | Publicado em 10 de janeiro de 2010 às 19:01

por Luiz Carlos Azenha

Toda a cortina de fumaça espalhada pela mídia nos últimos dias — pelos apaniguados de Ali Kamel, de Otávio Frias Filho e outros mistificadores de plantão — tem como objetivo central defender torturadores. Não se enganem com os apelos a argumentos extraordinários de Kátia Abreu, Reinhold Stephanes, Nelson Jobim e outros contra o Plano Nacional de Direitos Humanos. O foco é, no frigir dos ovos, defender os torturadores do regime militar. Tenho lido opiniões de gente boa da esquerda, em surto, dizendo que o ministro Paulo Vanucchi foi além da conta, que dinamita a candidatura da ministra Dilma, etc.

Vocês já se deram conta da enormidade que representa defender torturadores? Vocês já se deram conta do que representa para o Brasil acobertar torturadores? Espertamente, tem gente que tenta arrastar o Exército, a Marinha e a Força Aérea Brasileira para a absurda posição de defender torturadores!!! Tenho amigos na FAB e na Marinha e estou certo de que nenhum deles aceitaria nem de longe ser associado à tortura, independentemente de posições políticas pré ou pós-golpe de 1964. Não se trata de defender PT, PSDB, DEM ou PCdoB, gente. Estamos falando na absoluta condenação universal ao uso da tortura como ferramenta política. Não existe tortura de esquerda ou de direita. Existe a tortura dos gulags de Stálin, dos campos de concentração de Hitler, da base de Guantánamo, da Inquisição cristã, da guerra de independência da Argélia e da ditadura militar brasileira!

Acho absolutamente inacreditável que seres humanos, por maior que seja a paixão política, argumentem em defesa de torturadores. Apurar, esclarecer, processar e punir aqueles que torturaram em nome do Estado brasileiro é absolutamente indispensável se de fato pretendemos eliminar essa prática. Isso deveria ser objetivo tanto da direita, quanto do centro, quanto da esquerda brasileiras.

Eu até entendo que os empresários de comunicação do Brasil queiram barrar qualquer tipo de investigação sobre o regime militar. Afinal, como demonstrou Beatriz Kushnir, eles estiveram entre os que mais tiraram proveito financeiro da ditadura militar. Quem é que emprestou carros aos torturadores? A Folha. Quem é que surfou no objetivo dos militares de promover a integração nacional? A Globo. Mas, tirando essa meia dúzia de empresários, alguns direitistas obtusos e os próprios torturadores, acho difícil acreditar que exista gente disposta a dar cobertura a esses criminosos.


Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s