Um ensaio sobre o excesso

Todas as mulheres lindas,

Seja qual for o gracejo,

Não contentam o desejo,

A despeito das berlindas,

Do tosco homem sobejo

Que intenta o ensejo:

Todas as mulheres lindas!

Todos os saberes sisos

Dignos de relevância,

Não saciam a ganância,

A desgosto dos concisos,

Da mente sob vacância

Que objetiva a ânsia:

Todos os saberes sisos!

Todas as sensações plenas,

Causadas por emoção,

Não alentam a paixão,

Apesar das frias penas,

Do rijo peito desvão

Que almeja a ilusão:

Todas as sensações plenas!

Todos os momentos críveis,

Recordados da solércia,

Não convencem a inépcia,

Desdém dos inteligíveis,

Da alma sob inércia

Que engendra a amnésia:

Todos os momentos críveis!

Tudo o que é demais,

Um ditado já dizia,

Todo santo desconfia,

Dito em termos banais,

Da (in)expressão vazia

Que sustenta dia-dia

Tudo o que é demais!

(Thiago Bulhões)

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