Ao vencedor, os tomates!

Ao vencedor, os tomates!

O Brasil chegou a 2013 em condições sui generis. Analisando os números gerais temos o menor índice de desemprego, desde que existe a série histórica 5,6% (em 2003 era de 12,4%). De todos os trabalhadores economicamente ativos 50% possuem carteira assinada (em 2003 a taxa era de 39%). Tendência que vem desde o governo Lula, quando a massa salarial completa alcançou o índice de 44% do conjunto da economia nacional (2009), há indícios de que este ano a participação obtenha novo incremento, após algum tempo de queda. Com a queda continuada da taxa Selic (7,5%) o país chega ao menor percentual gasto com juros, desde que a série é medida (4,9% do PIB), o que aumenta a capacidade do Governo Federal de fazer investimentos na infraestrutura e em gastos sociais.

Existem outros dados a ser considerados. O crescimento da taxa de investimento de longo prazo deve ter expansão de 7,5% para esse ano, sendo que deve fechar este primeiro trimestre em 10%. Uma consultoria entrevistada pelo site Brasil Econômico aposta em uma expansão do Produto interno Bruto de 3,5%.

Listo estes números em função do desconforto sentido por mim nos últimos dias vendo os noticiários sobre a inflação. Explico: alguns anos atrás o país alimentava o “sonho” do crescimento econômico. A cantilena de economistas e empresários passava por todos estes pontos listados, mas um para mim é especial – a redução da taxa de juros. Contudo, naquele período (1994-2003) não tínhamos crescimento (ou podemos considerar como insuficiente frente às necessidades do país), e se pedia o estimulo à indústria. Neste momento de crescimento pede-se o aumento da taxa Selic!

Ou seja: pede-se o freio para a economia – pede-se que o consumo seja punido. Por mais que o tomate seja uma fruta essencial para o cardápio brasileiro, não podemos pensar o conjunto da economia do ponto de vista do seu aumento. Verdade que a inflação se espraiou por 70 produtos. Mas estamos analisando todos os componentes que fazem parte dessa alta? Devemos sacrificar nosso nível emprego tão rapidamente em função da atual percepção sobre a inflação?

Algumas conclusões óbvias para mim não tem aparecido no debate. É claro que com o crescimento da massa salarial há mais dinheiro circulando, por isso temos um aumento da demanda frente à oferta de produtos – afinal, existe mais gente comprando! Existe mais pessoas comprando produtos importados, mais gastos no exterior, mais remessa de lucro feita por multinacionais para suas sedes, mais compra de máquinas importadas para a formação de novas plantas industriais, o que ajuda na formação de capital bruto. Sem falar no fato que a valorização do Real frente ao Dólar aumenta a capacidade de compra no exterior, a análise só disso já daria outro artigo. Tudo isso deveria ser analisado para entender os efeitos da inflação e sua formação. Aparentemente estes elementos não tem ocupado o centro das preocupações dos grandes jornais e revistas semanais.

A Pasárgada do crescimento não é a economia com inflação zero – é necessário buscar um equilíbrio entre a necessidade que temos de emprego e inflação. Provavelmente será necessário pensar um cenário mais complexo, a mudança de status econômico-politico passado pelo Brasil envolve o surgimento de problemas diferentes dos apresentados em 2003. Para novos problemas precisamos de novos remédios.

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