José Serra e os Discursos contra o plebiscito da Reforma Política

estadao editorialQuinta, como parece ser de praxe já, há um artigo de José Serra no Estadão.

Mais uma pagina inteira de barbaridades. Pretensamente a titulo de analisar a política econômica nosso ex-governador realiza uma verdadeira sopa de conceitos, sem o menor nexo, neste seu espaço semanal. A um só tempo consegue ser contra o consumo, contra o crédito (para pobres, lógico, e o mais engraçado, para a classe média reacionária que é sua base e eleitora do jornal), contra o crescimento da produção. Tudo isso para criticar a política econômica sem dizer do que é a favor.

Ou seja, nos priva do sua brilhante proposta – escondida nas entrelinhas – de recompor os ganhos do capital por meio de novo programa privatizações, arroxo do salário, crédito exclusivo para as grandes empresas e, como não poderia deixar de faltar, redução da demanda por meio de uma redução do emprego formal!

Disto decorrem alguns questionamentos interessantes. Ele escreve para falar de economia mesmo? Ai vem à primeira resposta interessante: não.

Ele escreve para dizer que não precisamos de uma reforma política!

O engraçado é que duas semanas atrás a reforma política aparecia gratuitamente no discurso de diversas pessoas quando queriam comentar as mazelas de nosso sistema. Embora não haja um discurso único sobre que reforma todos concordavam que qualquer das propostas a mesa era melhor que o atual sistema.

Agora tudo é mais importante do que a reforma política. A economia é mais importante. A violência. Qualquer coisa. As manifestações etc. Bom, durante as mesmas mais de uma vez vi jornalistas comentando “o fim e desastre do sistema político”, “arcaico”, “pouco responsivo”. Sumiram todas as discussões.

Eis aqui um conceito tão caro a uma parte do staff tucano -Responsividade – por que ela não volta a ser debatida? Será porque o governo responde as demandas?

Quem não se lembra desse conceito nas intermináveis discussões e congressos sobre Reforma do Estado? Tão cara aos antigos intelectuais tucanos? De repente não existe mais nada e esse conceito desapareceu.

Mais impressionante  é ver pessoas e jornais simplesmente rasgarem literalmente o que defenderam por anos em nome de uma suposta vantagem eleitoral momentânea.

Serra tem um livro sobre Reforma Política (quase comprei no sebo, devi ter comprado para ver a diferença).

FHC defendeu, sendo apoiado por editorial do Estadão uma constituinte exclusiva para a Reforma Política em 1999. (imagem acima).

De repente todas as mazelas são mais importantes que a Reforma Política.

Aqui o lInk para editorial do Estadão: http://www.cartacapital.com.br/politica/como-fhc-o-estadao-tambem-esqueceu-o-que-disse-5206.html

A análise econômica de Serra

O excerto contém uma saraivada de conceitos jogados ao leo no texto, sortidos, sem lógica.

A primeira omissão é ler a economia como uma “ilha” separada dos sistema internacional de mercados e sem ler qual a atuação dos agentes econômicos neste campo.

A segunda omissão é fazer a análise sem nem mesmo tocar na posição defendida pelos países centrais do capitalismo.

Já é público e notório que os EUA pretendem assinar e forma um bloco econômico único com a Europa. Na minha leitura isso se deve a percepção da queda da particição do país no comércio mundial e o consequente crescimento da China.

Como o resultado é inevitável, e como o déficit americano tente a crescer, como internacionalização de sua inflação não deve durar muito, nem a guerra cambial que promoveu para desvalorizar o Dólar frente as moedas dos países emergentes para equilibrar a sua balança comercial, devem durar muito, Obama direciona e fecha mais sua economia; contudo, escolhe onde perde e onde ganha. Ao fechar acordo com a Europa mantém-se como influência militar, uma vez que todos são membros da OTAN.

É Público e notório também que a África se tornou a “nova fronteira” do capitalismo e China e EUA vão disputar palmo a palmo influência. Obama está na África reformulando discurso e pronto para uma turne por vários países.

Algum elemento destes aparece no texto? não.

Serra chama de “Lulismo” o modelo econômico pautado crescimento do consumo, criação de empregos menos qualificados, e inflação baixa.

Diz que este modelo tem como consequência o crescimento das importações, e crescimento do crédito para sustentar consumo.  Depois de citar estes elementos parte para discussão das manifestações e outros assuntos.

Bom, Serra, como um dos debatedores da década de oitenta, sabe muito bem que uma parte dos nossos problemas econômicos vem do fato de não conseguirmos perfeitamente sustentar um rítmos de crescimento sem que a economia nacional passe por um crescimento das importações.

A diferença com o passado está no fato termos reservas em nossa contas externas, o suficiente para sustentar esta compra. Sem voltar ao modelo nacional-desenvolvimentista completo, por meio da criação da novas estatais.

Na semana passada A revista Carta Capital fez uma matéria com o Prêmio Nobel de economia Joseph Stiglitz. resumindo, o economista renomado monta uma equação que desmonta literalmente as bases dos argumentos que Serra usa aqui e que nos EUA são a base do argumento do defensores do Neoliberalismo.

A saber: O que mata o desenvolvimento é a desigualdade, não o consumo.

A polêmica neste país se dá quase nos mesmos termos. Neoliberais tentam montar modelos econômicos para provar que o déficit americano deve ser cortado para que haja crescimento.

Stiglitz e Gallegati provam que a combinação de concentração de renda e recessão pode corroer muito mais o PIB. a centralização do consumo em uma classe gera um problema: os “ricos” tem propensão a consumir menor do que classe média e pobres.

Como classe média e as classes populares representam a maior parte da estrutura econômica à inclusão no consumo tente a gerar renda. A distribuição de renda gera consumo. A má distribuição de renda acentua a desigualdade e atinge a propenção marginal ao consumo, como podemos ler na página 51 da Revista Carta Capital (edição 752) na matéria de Claudio Bernabucci.

Agora vamos ler a proposta de Serra:

Depreendo de sua fala que o mesmo defende que o consumo é um problema. Apesar de repreender o governo porque houve retração do consumo! contraditório não? Nem tanto se pensarmos em qual perfil de consumidor Serra considera importante.

Sendo contra o consumo e crédito no modelo “lulista” é favor de que?

Obviamente que não pode defender o modelo neoliberal abertamente, por isso sua análise se apresenta como “realista”, crítica o que discorda mas esconde o que pensa.  A ideologia e o discurso que comunga.

Tenta de forma descarada fazer das manifestações um consequência da economia e não do sistema político que não consegue absorver as demandas sociais geradas pelos novos atores!

Mais engraçado é ler a crítica de Serra à “criação de empregos menos qualificados”, sendo ele parte de um governo que não criou sequer 1 uma universidade federal, sequer uma vaga no sistema privado de ensino (via FIES). Que  em 8 anos não criou sequer uma expansão de universidades, bolsas, programas para universitários e etc. o que temos é o suficiente? não. Contudo, dizer que é insuficiênte e voltar ao modelo que defende contra a criação não dá. (não vou nem comentar as mais de 200 unidades de ensino tecnico federal).

No estado de São Paulo Alckimin nã abre uma vaga em universidades estaduais! prolifera as FATECS enquanto a USP, UNICAMP, E UNESP permanecem estagnadas a anos! Não vou nem comentar o Frankenstein estadual de minas.

É engraçada esta crítica. Realmente.

Tudo isso porque não pode dizer abertamente que é contra a Reforma Política.

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