Os salários dos jogadores de futebol são muito altos no Brasil? Uma pequena reflexão sobre nosso futebol

Pensando a história dos clubes podemos perceber que em décadas de existência nenhum foi capaz de transformar sua imagem em uma marca. Isso considerando clubes como Santos, time do maior jogador de todos os tempos, Botafogo que teve garrincha como seu ídolo, e no entanto, os times não conseguiram  criar sua imagem como uma opção no mundo do futebol.

Pensando o retorno de marketing, que aficionados do futebol não gostariam de uma camisa de Pelé ou Garrincha?comparativamente Enquanto as ligas de futebol de outros esportes possuem marcas que são compradas em todos os lugares do mundo, como o futebol americano ou o basebol, por exemplo. Os clubes no Brasil viveram pó décadas do uso de recursos humanos e públicos pelos quais nunca pagou. Sem nunca pensar em criar algo a partir da “aura” criada em torno do futebol brasileiro que pudesse dar sustentação ao futebol, a sua estrutura. Isso muito antes das ligas europeias se tornarem hegemônicas e jogadores brasileiros e doutros países se mudarem para lá, atraídos pelos salário e retornos de imagem.

A realidade dos clubes foi toda vida a de explorar ao máximo os jogadores, durante décadas foram tratados no Brasil em uma realidade semi-escravidão, submetidos a “lei”do passe. Vendendo no varejo os corpos que chegavam à suas sedes, aproveitando da pobreza de suas realidades familiares. Receber por contratos de imagem é realidade recente para jogadores, contudo, os times vendem o direito de transmissão a décadas. Tem contratos com marcas de patrocínio também a muito mais tempo. No entanto, dentro dessa relação onde esses contratos valem milhões, o dinheiro sempre foi usado sem que a estrutura do clube crescesse.

À realidade das gestões sempre foi a de usar toda a receita do clube para a construção dos elencos, trocando técnicos sempre de forma aleatória se submetendo a pressão dos resultados, ao imediatismo. Nesse quesito quando consideramos os presidentes dos clubes não é difícil comparar suas atitudes com a de crianças que “compram” presentes, enjoam e encostam, os perdem, quebram e etc.

Fácil pensar isso vendo a história dos jogadores, vendo a história do Garrincha que no Botafogo chegou a não receber salários. E que teve um vida difícil como todos sabemos, para ficar no caso dos grandes jogadores. Considerando isso, não houve uma única ação de marketing que na copa usasse da sua história para atrair turistas. Isso considerando que Orson Wells foi botafoguense!

Um time da quinta divisão da Alemanha vendia cerveja em seu estádio e pedia para que o torcedor trouxesse seu sofá. Com tantos estádios, inclusive de outros tipos de eventos, não houve uma única ação. O máximo foi a criação de camisas de dois times. Aliás sendo elas mal vistas pelo marketing da entidade do futebol brasileiro!

À história dos times foi sempre a de perder recursos, não ter estrutura e gestões sem qualquer racionalidade. Pois isso fico abismado em ver um jornalista dizer que o problema dos clubes são os salários, de jogadores e técnicos. Sabendo de todo esse histórico. Sabendo de todo o histórico de perda de relações entre torcedor e clube. Como discuti no artigo anterior. Hoje, considerando apenas um clube dentre os chamados “grandes”, a média de receita bruta é perto de duzentos milhões.

Não consigo nem por no lápis quanto o futebol gera de lucro para a televisão, nem quanto ele trás de retorno para todas as marcas que anunciam no futebol.

Poderia ser muito maior a receita. Como Podemos pensar como profissional um campeonato que uma única emissora de tv detém monopólio da transmissão? Isso posto que tem poderes para impedir que os clubes possam assinar contratos individuais de marketing ou poder para não divulgar as marcas que colocaram seus nomes, comprando o direito de nome de estádios. Com poderes para impedir que outra emissora transmita jogo que ela não quer, ou em dia ou horário que ela própria não vai passar. Pergunto, como podemos pensar em capitalizar um campeonato com uma emissora com tamanho poder?

Ter um futebol competitivo implicaria em conseguir ter capitalização do campeonato. Ver nosso campeonato ser vendido para muitos lugares do mundo implicariam que ele fosse desejado pelos fãs de futebol do mundo. Para tanto os clubes precisariam ter a capacidade de ter grandes elencos. Dependeria de ser um campeonato competitivo. Que empresa irá investir sabendo que sua marca não será divulgada se não pagar duas vezes?

Aqui o campeonato dura quase um ano. Na contramão de todo calendário mundial do esporte, as ligas mais abastadas retiram os jogadores dos clubes antes do fim do torneio no Brasil. O que tecnicamente empobrece os jogos. Os clubes são escravos das vendas para o exterior de jogadores. À venda de um Lucas (São Paulo) representa um ano de contratos de todos os jogadores do elenco do Corinthians. E é assim que funciona. Os clubes adiantam, via operações bancárias, as cotas de direitos de imagem, com isso não conseguem sair de um círculo vicioso.
Diante de tudo isso o salário do jogador ou técnico sendo uma ínfima parte de uma estrutura que vale milhões e milhões e gira mais milhões e milhões é alto?

Só posso concordar como sendo se esquecer todos os erros históricos apontados acima, se relevar toda a exploração feita pelos clubes por décadas a fio de jogadores e técnicos sem que disso resultasse em ganho de estrutura organização.

Só posso concordar se eu acreditar que toda a riqueza produzida pelo futebol não deve ser repartida, principalmente com seu principal ator – o jogador.

Para compreender melhor como são definidos salários seria preciso também compreender como as economias funcionam e o peso da globalização na definição dos patamares.

Outra questão é compreender como As ligas que conseguem atrair mais recursos são justamente as que pagam os MAIORES salários. É preciso compreender como fazem para atrair mais recursos, à globalização dos recursos é paralela à globalização/unificação dos mercados e isso tem efeitos sobre todas as ligas de futebol.

No próximo texto vou tentar escrever algumas ideias sobre isso. Só assim podemos pensar como é possível que a liga americana já possua mais importância que o campeonato brasileiro. Só assim poderemos compreender porque esta semana Barcelona, Chelse, Real Madrid e tantos outros gigantes foram fazer sua pré-temporada nos EUA, porque um conjunto de empresários brasileiros preferiram criar um clube nesse país, e sobretudo já analisar como essa liga em pouco tempo irá hegemonizar as três Américas.

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