Batman Vs Super-Homem: grandes acertos e erros colossais 

Vou começar analisando a xenofobia intrínseca ao filme,  e o etnocentrismo que o acompanha.  

O filme começa com clichês sobre os “inimigos americanos”,  desfilam russos,  Árabes,  e Lex Luthor é estabelecido como um “descendente alemão oriental”.  Cujo pai teria lutado contra a “tirania”.  

O filme assume de forma acrítica a visão americana de mundo, pior, a visão mais xenófoba possível pois os inimigos são  sempre os “não  americanos”.  Justamente por isso o navio se chama “the White portuguese”,  esse fato é usado inclusive como parte do mistério.  

Segue o filme com os clichês sobre a CIA.  Na minha visão fica implícito que a Cia acerta no motivo e erra na forma no discurso do filme.  O que reforça minha visão do filme como um discurso conservador.  

Essa visão acrítica do papel dos EUA no mundo também aparece no enredo ao tratar da invasão kryponiana. 

Os EUA já estiveram em guerras na Europa,  América Latina, invasões, golpes militares  e civis – inclusive no exterior – ocupações estrangeiras.

  Era de se esperar uma visão menos conservadora ao retratar a origem do Super-Homem. A personagem não pode ser caracterizada como sendo  o problema. Não  pode ser essa visão  que chega a ser ingênua sobre a guerra. 

A ação de Lois Lane no estrangeiro tem o mesmo problema,  visão  ultrapassada da jornalista heroína e muito pobre de argumento para ser o mote principal do filme. 

Os EUA TEM uma experiência de guerra muito grande para o filme considerar que o “Super-Homem trouxe a guerra”,  é muito simplista o discurso.  

Como um extraterrestre,  o Krypitoniano deveria ser analisado pelo desequilíbrio do jogo de forças  entre as potências.  Culturalmente americano ele seria muito mais um objeto de contestação Internacional do que um potencial inimigo.  Ainda que seja um extraterrestre. 

Quando  vai ser superada essa visão  dos EUA como Centro do mundo? Onde todos os problemas mundiais são americanos?  Se o filme é para um público maior que o dos EUA já passou da hora de superar essa visão simplista do mundo, das relações internacionais. Caso não concorde com isso pergunto: quantos filmes também  já fizeram isso?  Não há nenhuma novidade nisso. 

Voltando,  como alguém tão  poderoso pode ser um problema do Senado Americano e não da presidência?  Como não é  um objeto de problema mundial? 

Aliás não há uma única parte que envolva o Super-Homem, e as personagens de seu núcleo,  que não seja clichê.  Lois Lane é mais um daqueles casos em que a personagem aparece na cena de luta sem que tenha qualquer função ali,  a não ser ressaltar o aspecto “heróico” da personagem.  

E o que foi aquela luta com o Batman?  Completamente sem sentido.  

O filme  tem aspectos bons.  Não é só clichê.  Todos os acertos para mim tem haver com o Batman.  

Gostei do Ben Afleck.  Acho que esse versão soturna e mais sóbria não havia tido uma representação. O uniforme do cavaleiro das trevas,  o clima tenso e cheio de suspense ficou muito bom na caracterização.  Mas tudo isso se perde no colossal erro de caracterização do Super-Homem.  Um filme só do Batman com esse clima promete muito. Enquanto Clark foi uma casca vazia Batman conseguiu transmitir profundidade. 

O enredo seria muito melhor se ficasse concentrando na trama do Luthor,  apenas na articulação feita pela personagem,  que tinha elementos políticos,  ação etc.  

Em relação  ao Luthor mais clichê.  Mais uma vez a genialidade  retratada como loucura.  Quantos filmes já fizeram isso?  O ator não  me agrada,  mas não  há  Como negar que a caracterização da personagem não o ajuda.  

Em relação a Mulher-Maravilha só posso achar que ela merecia mais espaço na trama.  A atriz foi bem.  Sua interação com o Batman ficou muito Boa,  apesar de totalmente deslocada em relação  ao Super-Homem. Quero ver uma Diana como a da série  “Liga da justiça sem limites” em seu filme.  Mas deixou muito boa impressão no que lhe coube no filme.  

Em relação  a Alfred Pennyworth temos mais uma vez um grande ator encarnado na personagem.  

O ator que o encarna na série  Gotham – Sean Pertwee – é  muito bom. Michael Came dispensa comentário.  Jeremy Irons é  um dos meus atores preferidos.

Agora é esperar pelo filme da liga. E torcer por menos erros.Que o Flash seja Barry Allen  e não  Wally West. 

Gosto da série Flash. Achei um grande acerto ao caracterizar  a família  West como negra.  Assim como o Perry  de Laurence Fishburne. Essa tendência  a ser mais multicultural é muito boa,  por isso espero que a DC não faça esse erro.  Porque acaba por desmerecer o bom trabalho da série Flash. 

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Um comentário sobre “Batman Vs Super-Homem: grandes acertos e erros colossais 

  1. Precisarei de diversas horas e muitas cervejas prauma conversa realmente produtiva. Mas concordo com os pontos principais da analise do enredo e do papel de Supermam e Luthor.

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